Tudo começou há mais ou menos um ano e meio atrás. Levados por um casal de amigos, eu e minha namorada fomos à nossa primeira rave, numa noite fria de maio, em Curitiba. Eles viviam dizendo que nós tínhamos que ir, “de qualquer jeito”, mas eu ainda não entendia o por quê.A música intensa chamou a atenção logo de cara. Com o passar das horas em frente ao palco, apertado entre centenas de pessoas, eu contabilizei 2 empurrões seguidos de 5 pedidos espontâneos de desculpa. Esse clima de “paz e amor” para mim era inédito e ao mesmo tempo surpreendente. E eu vi que isso era bom.
Aos poucos, o céu estrelado foi clareando, e os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, iniciando uma reação em cadeia: o som ficou ainda mais alto, mochilas e casacos foram ao chão, para qualquer lado que eu olhava havia pessoas pulando com suas garrafinhas de água, mordendo pirulito, brincando com seus malabares, se abraçando, rindo e cantando em uma só voz: “I´m playing the game…”. E eu vi que isso era muito bom.
No final do dia eu estava sujo, suado, com sono, o corpo inteiro dolorido… e inexplicavelmente satisfeito. Na volta para casa, um único pensamento ia e voltava na minha cabeça: como é que eu pude viver tanto tempo sem isso? E aí eu me dei conta que eu acabava de conhecer algo absurdamente bom.
Essas são as impressões que eu guardo até hoje da minha primeira rave. Foi estranho. Foi intenso. Foi do caralho!
Sou só eu ou com você também foi mais ou menos assim? |